Um dia na bela capital da Croácia, Zagreb

Zagreb é daquelas cidades que, não sabemos bem porquê, fica frequentemente de fora dos roteiros turísticos pela Croácia, apesar de presentemente este hábito estar a mudar um pouco. Mas como capital do país que é, inevitavelmente, nunca poderíamos deixar de a visitar, até porque dificilmente conheceríamos verdadeiramente o país se excluíssemos a sua cidade mais importante.

Na verdade, há inúmeras razões para conhecer Zagreb. É uma cidade cheia de história, não está (ainda) inundada por turistas, é óptima para conhecer um pouco da gastronomia da zona norte da Croácia (bem diferente da zona costeira da Dalmácia) e é uma cidade cheia de vida e com muita animação nocturna. Vamos lá?

O nosso roteiro em Zagreb

O nosso um dia em Zagreb foi dividido numa tarde, já que o nosso voo chegou a Zagreb por volta das 15h, e na manhã do dia seguinte e seria o suficiente para sermos positivamente surpreendidos por esta cidade.

A história de Zagreb começa no ano de 1094, quando o rei húngaro Ladislau I fundou uma diocese a que chamou de Kaptol. Na mesma altura, na vizinha colina, formou-se uma outra comunidade de nome Gradec (hoje o bairro de Gornji Grad). Mais tarde, nos séculos XIV e XV, estas seriam comunidades rivais, mas no século VII viriam a fundir-se tornando-se Zagreb, e representando hoje a parte alta medieval (e bem preservada) da cidade. Esta zona é actualmente o centro cultural e histórico da cidade.

Durante o século XIX, a cidade assistiu à construção de importantes edifícios culturais e históricos. Mas a cidade como a conhecemos hoje só ficou assim definida após um terramoto no inicio do século XX que a afectou gravemente e obrigou à sua reconstrução. Em 1991, Zagreb passou a ser capital da recém-criada Croácia, fruto da desagregação da antiga Jugoslávia.

Em resultado desta evolução histórica, a cidade divide-se actualmente em duas zonas bem distintas, a zona alta, que é também a parte da cidade mais medieval e a zona baixa, mais moderna e movimentada.

Cemitério de Mirogoj

Começámos o nosso roteiro pela zona alta e pelo Cemitério de Mirogoj. Parece estranho começar a explorar uma cidade por um local destes, mas, o certo é que este cemitério, construído em 1876, é considerado um dos mais belos da Europa e tem vindo a transformar-se numa atracção turística.

Era sexta-feira Santa e muitos croatas visitavam o local para honrar os seus entes queridos, acender velas e colocar flores nas campas, por isso pudemos sentir um pouco da carga emocional que o local tem. Sendo a Croácia um país católico, existem obviamente muitas semelhanças com os nossos cemitérios, excepto, claro, a sua magnífica arquitectura, totalmente diferente de qualquer outro. Não haverá muitas palavras para descrever o local que é de uma beleza magnifica. Desde a imponente entrada coberta de hera, às capelas católicas e ortodoxas, às arcadas neo-renascentistas, tudo foi pensado ao mais pequeno pormenor. Ao longo das suas avenidas arborizadas é possível encontrar as campas dos mais ilustres escritores, poetas, compositores e outras personalidades, assim como monumentos de homenagem aos que caíram durante a primeira e a segunda grande guerra. Um verdadeiro museu ao ar livre que nos proporciona alguns momentos de paz e tranquilidade.

Igreja de São Marcos

Seguimos logo depois para o bairro de Gornji Grad onde se situam alguns dos edifícios mais conhecidos da cidade. Um deles é sem dúvida a Igreja de São Marcos, uma pequena igreja gótica, muitas vezes utilizada com símbolo da cidade e situada na praça com o mesmo nome. Facilmente reconhecida pelo seu telhado colorido, cuja composição forma os brasões de armas da Croácia, Dalmácia e Eslovénia e da cidade de Zagreb.

Infelizmente, não podemos visitar o seu interior porque estava a decorrer uma missa (ainda para mais sendo sexta-feira santa) mas a sua maior atracção está mesmo no exterior, mais propriamente no telhado! E sendo os croatas católicos e imensamente devotos, esta data não poderia deixar de ser assinalada.

Museu das Relações Quebradas

Bem perto da Igreja de São Marcos, fica um museu único no mundo, o Museu das Relações Quebradas. O Museu foi criado a partir de vários objectos, doados por várias pessoas do mundo, que tivessem ligação emocional com uma pessoa, um amigo, um membro da família, um ex-amante, e onde explicam qual o significado daquele objecto perante a pessoa amada.

É verdade que até parece piada, mas acreditem que tem objectos expostos que representam casos bastante dramáticos! O museu não tem apenas casos de relações amorosas ou que terminaram por iniciativa de um dos elementos, mas também histórias que não terminaram da melhor forma! Ficámos muito emocionados com alguns dos exemplos e histórias que aqui vimos. Leva-nos a pensar no valor que damos a pequenas coisas e que às vezes outros não compreendem porquê e lembra-nos também que o amor pode ser tão forte como frágil. Sem dúvida um local a não perder!

Existem vários museus em Zagreb muito interessantes, como o Museu da Cidade, o Museu de História Natural, o Museu da História Croata, o Museu Etnográfico, etc. Há para todos os gostos, mas nós escolhemos este apenas por ser diferente e único.

Torre Lotrscak

Um pouco mais abaixo do museu, situa-se a imperdível Torre Lotrscak, datada do século XIII e um dos mais antigos edifícios da cidade. Situava-se originalmente nas muralhas de Gradec e o seu sino (que já não existe) assinalava o fecho dos portões da cidade ao cair da noite.

Desde meados do século XIX, todos os dias, ao meio-dia, é possível ver e ouvir os seus disparos de canhão que em tempos serviram para os habitantes manterem certas as horas dos seus relógios. Hoje em dia, a torre alberga uma galeria, mas o mais interessante mesmo é poder subir e apreciar a vista sobre a cidade e sobre os principais pontos da cidade, como a Catedral de Zagreb, a Igreja de São Marcos, o Teatro Nacional e o Funicular, um dos mais curtos do mundo, com apenas 66 metros de comprimento, e que faz a ligação com o centro da cidade, perto da rua Ilica.

Strossnayer Promenade

No seguimento da Torre Lotrscak e ao longo dos restos das muralhas medievais, encontramos a Strossnayer Promenade, de onde podemos igualmente desfrutar de maravilhosas vistas sobre a zona baixa.

O passeio, sombreado por altos castanheiros, normalmente um lugar tranquilo e harmonioso, escondido da vida agitada da cidade, transforma-se durante os festivais de verão, quando se enche de barracas de comida, artistas e música. Ou não seria este o local escolhido pelos habitantes de Zagreb para se reunirem ao pôr-do-sol nas suas quentes noites de Verão.

Continuando pelo passeio iremos encontrar a estátua de Antun Gustav Matoš, sentado num banco. Matoš é um popular escritor e jornalista e também um grande entusiasta de Zagreb, tendo muitas vezes exaltado a vida boêmia da cidade nas suas colunas de jornal. Nada como sentar a seu lado e ficar a apreciar um pouco do vai e vem próprio desta cidade.

Portão de Pedra

A tarde já ia longa, mas não poderíamos ir embora sem antes conhecer a mais famosa porta da cidade. O Portão de Pedra, remonta ao período medieval (Século XIII) mas ficou famoso quando, em 1731 um incêndio na cidade destruiu o portão deixando intacto apenas um quadro da virgem Maria! Desde então que, a 31 de Maio, é celebrado o dia da cidade e da virgem do Portão de Pedra, padroeira da Cidade.

O mais interessante é que, debaixo do arco, foi construído um pequeno santuário frequentemente utilizado pela população para rezar e dedicar alguns momentos de devoção à virgem Maria, momentos esses que tivemos o privilégio de poder testemunhar.

Rua Tkalčićeva

Para terminar o nosso dia, tínhamos planeado ir à Tkalčićeva, a rua mais badalada da cidade, cheia de cafés, bares e restaurantes. Zagreb tem fama de ter uma noite animada e era isso que procurávamos, mas nem foi preciso ir tão longe. Logo ali bem perto do nosso alojamento, junto a Av. Ilica, encontrámos umas ruas pedonais com imensa animação, com vários restaurantes e esplanadas, por isso decidimos ficar por ali mesmo, e não nos arrependemos de todo.

Praça Ban Jelačić

Iniciámos a nossa manhã na praça Ban Jelacic. Era sábado e as ruas estavam cheias de gente de um lado para o outro e às compras. Na praça estava instalado um mercado de rua e isso atraiu ainda mais gente. Afinal era véspera de Domingo de Páscoa, e havia que preparar a reunião familiar do dia seguinte.

A Páscoa é sempre um dia muito importante para os cristãos, mas sendo a Croácia um país muito católico, este é sem dúvida, um dia especial. Havia também famílias a passear, crianças a correr e a brincar, avós com alegria nos rostos iluminados pelo sol da manhã. Vieram ver os ovos gigantes que por aqui estavam espalhados e com os quais já nos tínhamos encontrado também noutros locais da cidade. Os ovos gigantes pintados é uma tradição ancestral croata símbolo da amizade, amor e alegria da Páscoa e que tínhamos muita curiosidade de ver. 

Catedral de Zagreb

Bem perto da praça, fica aquele que é o edifico mais emblemático da cidade, muito provavelmente por ser também o edifico mais alto de toda a Croácia, a Catedral de Zagreb. A Catedral da Assunção da Virgem Maria, como também é conhecida, situa-se no bairro de Kaptol, e é daqueles locais que não pode ficar de fora numa visita à cidade, até porque o seu tamanho e arquitectura são verdadeiramente impressionantes. 

A sua construção remonta ao século XI, mas o que hoje vemos não é de todo a construção original. A primeira catedral foi quase destruída durante a invasão mongol e mais tarde por um grande incêndio já no século XIII. Finalmente, foi seriamente danificada no terramoto de 1880, tendo sido depois restaurada em estilo neogótico por Hermann Bollé, que a transformou na catedral que é hoje.  A Catedral domina inteiramente a paisagem da cidade e pode ser vista de qualquer ponto, por isso perdê-la é quase como se não tivesse sequer visitado Zagreb.

Mercado Dolac

Terminámos a nossa manhã no mercado Dolac, um mercado essencialmente de produtos frescos oriundos de produtores locais.  Mas, além de frutas e legumes, há também peixe, carne, massas frescas, pão e bolaria regional, queijo, flores e artesanato. Os habitantes locais adoram comprar alimentos frescos nos mercados ao ar livre e praticamente cada bairro tem seu próprio mercado, mas o mercado Dolac é o maior e o mais famoso de todos e por isso estava cheio de gente. Nós aproveitámos para fazer algumas aqui algumas compras, até porque íamos sair da cidade e teríamos de fazer pelo menos uma refeição pelo caminho, por isso era melhor sairmos prevenidos.

Pavilhão de Arte

Antes de sairmos da cidade, e já na zona baixa, mais moderna, ainda tivemos tempo para uma pequena paragem para admirar a beleza do Pavilhão de Arte, construído em homenagem ao primeiro rei da Croácia, Tomislav.

Concluímos aqui a nossa visita a esta cidade mas levamos a certeza de que apesar de pequena, Zagreb merece algum tempo para ser descoberta, mas o centro da cidade percorre-se perfeitamente em apenas um dia! Não sendo das cidades culturalmente mais ricas que já visitámos é no entanto uma cidade muito interessante e que deixa claro que estamos num país em plena modernização. 


Viagem realizada em Abril 2019

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2 Comments Add yours

  1. Que fantástico!
    A Croácia é espectacular! Apesar de só ter visitado Dubrovnic, tenho muita curiosidade em visitar Zagreb. 🙂
    Adorei o post! 🙂

    Liked by 1 person

    1. Obrigado! 😊 Pois, muita gente só conhece a zona costeira e não vai para o interior deixando Zagreb de fora, mas nós achamos uma cidade muito interessante.

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