Malta, o tesouro do Mediterrâneo

Malta é um dos mais pequenos países da Europa. É composto por três lhas (Malta, Gozo e Comino) e vários ilhéus desabitados. É pequeno em tamanho, mas grande no conteúdo. Com uma posição estratégica no Mediterrâneo, ao longo dos séculos, Malta teve a influência de Fenícios, Gregos, Romanos, Turcos, Árabes, Franceses e Ingleses e é por isso um destino recheado de história e cultura, e com inúmeros locais de interesse para visitar.

Malta é uma mescla de culturas, bem diferente do resto da Europa. A sua arquitectura, muito particular, é uma mistura entre o árabe, o Barroco e o Neoclássico dos séculos XVII e XVIII. A proximidade com a Itália trouxe muitos dos seus costumes e tradições, e também muito da sua gastronomia. O seu povo, além de muito simpático e hospitaleiro, é também extremamente católico. Não é há toa que Malta tem a maior concentração de igrejas por m2 do mundo. São 360 igrejas, é impossível não reparar!

Nesta nossa viagem de 6 dias, dedicámos 2 dias a Gozo e a Comino, e os restantes 4 dias a descobrir a maior ilha do arquipélago e a que dá o nome ao país, a ilha de Malta.  A zona centro e sul da ilha são as mais interessantes do ponto de vista cultural e histórico. A zona norte, onde se situam as melhores praias, é também a zona mais natural pois, além de existir aqui um parque natural, o Il-Majjistral, é também a região menos habitada.

O nosso roteiro na Ilha de Malta

Dia 1 – La Valetta

O nosso primeiro dia, foi inteiramente dedicado à capital de Malta, La Valletta (clique no link para ver o post sobre La Valletta). Património da Humanidade pela UNESCO desde 1980, é um verdadeiro museu a céu aberto e merece sem dúvida que nos percamos um dia inteiro pelas suas íngremes estreitas ruelas. 

Dia 2 – Mosta, Mdina e Rabat

Começámos o dia bem cedo e a nossa primeira paragem paragem foi na cidade de Mosta. Aqui apenas queríamos visitar a Igreja de Santa Maria, mais conhecida por Rotunda de Mosta. Desenhada pelo Arquiteto Maltês Giorgio Grognet de Vassé, foi construída entre 1833 a 1860 usando apenas as doações da população da ilha. É conhecida pela sua enorme cúpula, a terceira maior do mundo, e pelo milagre que aqui ocorreu. Em 1942, durante a segunda guerra mundial, a igreja foi bombardeada e nenhuma das 300 pessoas que se encontravam no seu interior morreu porque a bomba de 200kg, que caiu no seu interior, simplesmente não explodiu. Hoje é possível ver uma réplica dessa mesma bomba na sacristia da bela igreja.

Dedicámos o resto da manhã à cidade de Mdina que, em árabe, significa “cidade muralhada” e à sua vizinha Rabat, que quer dizer “arredores”. Começámos por Rabat cujo maior ponto de interesse são as Catacumbas de São Paulo e a Cripta de Santa Ágatha. Com um único bilhete é possível visitar ambas já que se encontram separadas por apenas uma rua. Estas catacumbas, um dos locais arqueológicos mais importantes de Malta, datam do século III e foram usadas como criptas durante 500 anos. Durante este tempo eram, obviamente, usadas como locais de oração mas depois disso começaram a ser usadas como locais de armazenamento de produtos agrícolas e cereais, e até como “bunkers” durante o período da segunda Grande Guerra. No complexo existem mais de 30 catacumbas, umas católicas, outras pagãs e até judaicas, sendo que as católicas predominam. Não estão todas abertas ao público mas conseguimos entrar em muitas delas e ver as escavações feitas na rocha e os labirintos que estas formam.

Seguimos depois para Mdina, capital de Malta até 1530 e uma das cidades muralhadas mais bem preservadas da Europa, cuja origem remonta aos Fenícios que a povoaram em 700 a.C.. Vieram depois os romanos, que a baptizaram de Melita, os árabes e finalmente os Cavaleiros de São João, que a viriam a chamar de “Cidade Nobre” e que construiriam a maioria dos edifícios que hoje aqui vemos. Mas, as suas ruas estreitas e entrelaçadas correspondem ao traçado típico das cidades árabes, e por isso não escondem de todo as suas origens. Com a chegada dos cavaleiros, Mdina perdeu importância estratégica para La Valletta e acabou por se tornar local de férias dos nobres. 

Com uma população inferior a 300 habitantes, nas ruelas de Mdina predominam a tranquilidade, a intimidade e o silêncio (principalmente quando os turistas vão embora), e por isso acabou apelidada de “Cidade Silenciosa”. Entrámos pelo belo Portão da Cidade, que se tornou famoso depois de servir de cenário na série televisiva “Guerra dos Tronos”, e encontramos pela frente o belo Palácio Vilhena, que alberga hoje o Museu de História Natural. Continuámos até à Catedral de São Paulo, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, e que pretendíamos visitar. O bilhete custa 10€/pessoa mas é mais que bem empregue, já que nos permite conhecer também o seu museu. Existem ainda na cidade mais uns quantos palácios e museus possíveis de visitar mas, para nós, o mais fascinante de Mdina foi mesmo perder-mo-nos no labirinto das ruas do seu centro histórico.

A manhã já ia longa, a depois de tanto andar a pé a fome já apertava, por isso nada melhor que um restaurante típico para desfrutar da rica gastronomia maltesa, cuja base não é muito diferente da que estamos habituados em Portugal. Usam muito as ervas aromáticas, tomate, azeitonas, queijo de cabra, gengibre e especiarias e havia dois pratos tradicionais que queríamos experimentar: Um deles era o coelho frito (em alguns locais pode encontrar também grelhado) e outro eram os caracóis cozidos. Já sabíamos que logo ali ao lado iríamos encontrar o restaurante ideal para isso, o Diar Il-Bniet, cujo conceito é também muito interessante, pois os produtos utilizados na confecção dos pratos são praticamente todos oriundos da quinta da família, assim como os que se encontram à venda na pequena loja. Não havia caracóis mas experimentámos o coelho e adorámos. Recomendamos vivamente, pois além da comida deliciosa, o restaurante tem também uma decoração tradicional e rústica e os seus funcionários são muito simpáticos. Convém também ressalvar que as doses são enormes e uma entrada e um prato principal dá perfeitamente para uma refeição de 2 pessoas. Isto acontece, não só neste restaurante mas em todos os que fomos.

Após o almoço seguimos em direcção à costa e aos penhascos de Dingli. Aqui ficámos ainda algum tempo só a apreciar as vistas sobre as impressionantes falésias que parecem mergulhar no azul do mar. Continuamos à descoberta da costa, passando pelos Templos de Ħagar Qim e Mnajdra, uns monumentos megaliticos que já não visitámos e chegámos então à Gruta Azul, onde terminámos o nosso dia em beleza. A “Blue Grotto”, como também é chamada, é um conjunto de grutas cujas águas vão alternando as suas cores entre azuis e verdes cristalinas consoante os raios de sol. A maior das grutas, é possível de ser visitada num passeio de barco, mas nós preferimos admirá-la vista de cima num miradouro ali perto. E podemos dizer-vos que é linda!

Dia 3 – As praias e a Popeye Village

Saímos de Sliema, onde estávamos alojados, e fizemos toda a costa oriental, passando por St. Julian’s Bay, St. George’s Beach e St. Paul’s Bay até Mellieha Bay. Perto desta última, fizemos um desvio para ir à Popeye Village, local que serviu de cenário ao filme do famoso marinheiro que comia espinafres e cujas histórias nos levam à nossa infância. Depois do filme, o cenário foi reutilizado e transformado naquilo que é hoje, um parque de diversões. O bilhete custa 23€/pessoa e, na nossa opinião, vale a pena a visita para quem tem crianças. Nós ficámos pelo miradouro que nos permitiu ver todo o cenário à distância e foi suficiente para trazer as histórias do herói à nossa memória.Já na costa ocidental, parámos na Golden Beach para almoçar e fazer um pouco de praia durante a tarde. Afinal, não poderíamos fazer um post sobre as melhores praias de Malta sem ter passado por todas elas e dar um mergulho em pelo menos em uma. Neste dia, já não fomos à Paradise Beach porque já tínhamos ido quando regressámos de Gozo, e guardámos o tempo para a Gnejna Bay e a Għajn Tuffieħa antes de regressar ao hotel.

Dia 4 – Marsaxlokk e o Hipogeu

Começamos o dia em Marsaxlokk, uma das mais antigas zonas piscatórias de Malta. É uma pequena cidade situada numa baía natural, e a sua maior atracção é mesmo o coloridos dos barcos de pesca que povoam as águas da baía e o mercado de peixe, que se realiza todos os Domingos enchendo de gente a pequena cidade. Infelizmente, os dias desta nossa viagem a Malta não nos permitiam ir ao mercado, mas tivemos muita pena de não ter podido ir. Por isso se tiver oportunidade não perca o Domingo de manhã em Marsaxlokk.

Bem perto de Marsaxlokk fica um dos locais preferidos dos malteses para um mergulho, a St. Peter’s Pool. Provavelmente a proximidade da capital seja um factor de preferência, mas estas não são mais que umas piscinas naturais na costa rochosa e que serve de entrada para o sempre calmo mar Mediterrâneo. Para quem não prescinde de um bom banho de mar, acreditamos que possa ser um bom local a explorar.

Para a tarde tínhamos planeado ir ao Hipogeu de Hal Saflieni, o único templo subterrâneo pré-histórico do mundo e património da Humanidade pela UNESCO, desde 1980. Mas quando chegámos, tínhamos pela frente uma fila que nos demoveu de imediato da ideia. Já tínhamos visitado outros locais pré-históricos em Malta e por isso decidimos não ir, no entanto, caso este seja um assunto do seu interesse, este deverá ser um local a não perder, mas adquira aqui o seu bilhete com antecedência para evitar o que nos aconteceu a nós.

Com a tarde livre decidimos regressar a um local que tínhamos adorado e não tínhamos explorado muito, as Três Cidades. Parámos num restaurante para almoçar em Birgu. Era sábado e o local estava cheio de habitantes do bairro, pois todos se conheciam e cumprimentavam uns aos outros. Acabámos por ficar ali mesmo, só a apreciar a vida e o dia-a-dia de um bairro ainda pouco habituado aos turistas. Foi uma tarde deliciosa!

Adorámos o país, o povo, a comida e o repouso e a calma que estes dias nos deram. Somos cada vez mais, viajantes de paisagem e de natureza mas ficámos no entanto muito surpreendidos com alguns aspectos deste país e da sua cultura. Se o seu tema é história e cultura então Malta é de certeza o lugar certo para as suas férias.


Viagem realizada em Junho 2019

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