Xangai, a Pérola do Oriente

Xangai (ou Shangai na sua versão inglesa) foi a cidade que escolhemos para assinalar o início desta nossa primeira e curta viagem pela China. Já tínhamos estado em Macau e Hong Kong, mas essa é uma China diferente e já muito “ocidentalizada”. Era agora que íamos entrar neste pedaço de mundo ainda tão desconhecido da maioria de nós.

A ansiedade era mais que muita e nem o facto de nos termos levantado às 4:30h da manhã, nos desanimou. Finalmente chegámos à China e a nossa primeira experiência foi o Maglev, o comboio bala que nos leva do aeroporto até à cidade. Essa é sem dúvida a melhor forma de lá chegar, pois demora apenas 7 minutos. Depois há que fazer a ligação ao metro, e a partir daí rapidamente estamos no centro da cidade.

 

Ainda andámos algum tempo à procura do nosso hotel, pois a localização indicada na app que usamos, apesar de próxima, não era assim tão certa, dadas as limitações de acesso na China, mas lá o encontrámos. Largamos a bagagem e saímos para a rua.

O dia estava cinzento e frio, enfim, um normal dia de inverno, mas mesmo assim as ruas estavam com muita gente! Aliás, este seria um mote geral ao longo de toda esta viagem: gente e mais gente por todo o lado!

Estávamos perto da The Bund por isso começámos por aí mesmo. É uma das avenidas principais da cidade, com uma enorme zona pedonal, situada na margem ocidental do rio Huangpu, bem de frente para Pudong, o distrito financeiro e cartão postal da cidade. Aqui encontramos muitos restaurantes com esplanadas e apesar do mau tempo, é um excelente local para passear.

Na verdade, quase poderíamos dizer que estamos numa qualquer avenida de uma cidade europeia, não fosse o facto de olharmos para o lado e vermo-nos rodeados de chineses. Estranho, não?! Nada como recuar no tempo e olhar a história desta cidade, para perceber que a presença francesa e inglesa nesta região deixaram as suas marcas, quanto mais não seja, a nível arquitectónico.

 

Em meados do século XIX, Xangai abriu as suas portas aos países ocidentais, por força do tráfico do ópio, acabando por se converter num dos maiores pontos de comércio externo da China. Desde essa época até à segunda grande guerra, altura em que o regime comunista passou a liderar e a economia estagnou, franceses e britânicos gozaram de território concessionado e até de um regime próprio, factos que justificam alguns dos hábitos e características próprias desta cidade.

A partir de 1990, quando Pudong foi declarado zona económica especial, a cidade voltou a crescer e tornou-se aos dias de hoje na maior cidade da China e no seu mais importante polo financeiro e comercial. É muito provavelmente a cidade onde vivem mais estrangeiros e por tudo isso é também considerada a cidade menos chinesa da China.

Pudong, onde se situam praticamente todas as empresas estrangeiras (e não só), é sinónimo de uma zona moderna e repleta de arranha-céus. É também onde fica a “East Pearl Tower”, o edifício mais emblemático da cidade, com 468 metros de altura. É a torre mais alta da Ásia e a terceira mais alta do mundo.

Nos nossos planos, estava a subida ao World Financial Center, bem de frente para a Pearl Tower, mas como o dia estava tão cinzento e com tão pouca visibilidade acabámos por achar que não ia valer a pena, por isso desistimos e ficámos apenas pelo “Skyline”.

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Continuámos a caminhar avenida fora em direcção à antiga Xangai, observando tudo e todos os que nos rodeiam, numa ânsia de conhecer melhor a cultura chinesa e esta surpreendente mistura que se vive nesta cidade.

Fomos andando até chegar à zona antiga, o lugar onde a cidade nasceu. Parecia que estávamos num local completamente diferente. Aqui as raízes chinesas estão bem visíveis, não só nos edifícios mas também no rodopio de gente na zona do mercado de Yu Yuan.

 

Bem, não se pode dizer que seja exactamente um mercado de rua típico, mas mais uma espécie de bazar organizado em pequenas lojas. Há por aqui um pouco de tudo, roupa, sedas, antiguidades, artesanato, restaurantes, enfim, um bom local para comprar uma boa recordação. Foi de lá que trouxemos o nosso Jianzhi, uma arte milenar chinesa que consiste em criar figuras e imagens utilizando uma técnica de corte de papel. Muito embora esta arte seja conhecida em todo o mundo, apenas a chinesa foi elevada, em 2009, a Património Imaterial pela UNESCO, muito pela sua história com mais de 1500 anos e os valores culturais chineses que representa.

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Junto ao mercado Yu Yuan, encontramos os jardins da dinastia Ming, com o mesmo nome. Datados de 1559, vale a pena entrar para visitar, não só pela beleza das suas paisagens em miniatura, como também pelo belíssimo e pitoresco salão de chá, com a sua ponte em ziguezague, algo muito comum nestes jardins e em toda a China. Reza a lenda que os dragões e os espíritos malignos apenas conseguem mover-se em linha recta, e por isso, desta forma nunca a conseguirão passar.

 

Nesta zona existem também alguns templos, onde budistas, taoistas e seguidores de outras religiões, se perdem nas suas orações. Deambulámos até chegar á Rua da Cidade Velha e aqui sim, sentimos o verdadeiro exemplo das cores e cheiros característicos de um bairro tradicional chinês.

 

Com o cair da tarde, fomos para Xitiandi, a antiga concessão Francesa. Actualmente esta é uma zona de lazer muito frequentada pela alta sociedade e pelos ocidentais que por cá vivem. Aqui existem restaurantes, bares, cervejarias e muitas lojas elegantes. A área, constituída por edifícios ao estilo Neoclássico, está incrivelmente bem recuperada e com a oferta que o bairro tem faz com que claramente não faça esmorecer a vontade dos habitantes de Xangai em vivê-la! Aproveitámos para nos sentar um pouco numa cervejaria e apreciar uma boa cerveja artesanal, enquanto observávamos este hábito tão europeu infiltrar-se na cultura chinesa.

 

Para fechar o dia, faltava-nos a Nanjing Road, a rua mais movimentada da cidade, a rua onde tudo se passa, onde estão as maiores e melhores lojas, as marcas mais famosas, e os maiores viciados em compras, o povo chinês. E o final do dia, é o momento em que tudo se transforma, as ruas ficam impressionantemente cheias de gente, num entra e sai, as luzes e os néons acendem, a música fica alta e os sons parecem mais vibrantes que nunca. É uma dinâmica difícil de descrever mas que nos impressiona verdadeiramente.

 

Cansados do dia, que já ia longo, não podíamos deixar Xangai sem nos despedir dela, por isso e porque era perto do nosso hotel, regressámos ao local onde iniciámos este nosso percurso, a The Bund. Queríamos ver o efeito das luzes da noite no Pudong Skyline. E, como esperado, a noite traz-lhe uma beleza surpreendente e bem diferente do dia. À noite a cidade ganha este encanto e uma vida completamente diferente. Se não acreditam vejam a diferença.

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Temos tanta pena do dia ter estado tão cinzento e termos ficado tão pouco tempo. Ficámos muito fascinados pela cidade e por isso com muita vontade de um dia voltar e usufruir dela com mais tempo, algo que ela merece sem dúvida nenhuma.

Nota: Viagem realizada em Novembro de 2017

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