Havana, uma cidade parada no tempo

Havana, é uma experiência única! É um misto de emoções! Que se ama ou se odeia!

Uma cidade cheia de história, que tem tanto de belo como de decadente. Uma cidade parada no tempo, que nos transporta para outras épocas, onde toda a gente devia ter a oportunidade de ir, pelo menos uma vez na vida.

Mas, para melhor se compreender Havana, há que também compreender um pouco da sua história e da história do seu povo. E compreender Havana é compreender Cuba!

Durante a nossa estadia em Cuba, fomos 3 vezes a Havana devido ao percurso que fizemos, deixando para os últimos dias a exploração da cidade. No entanto, nessas curtas estadias tivemos algumas boas experiências que não iremos deixar de partilhar com vocês.

Chegámos a Havana ao final do dia, pelo que o impacto da chegada foi ligeiramente amenizado pelo escuro da noite. Mas o amanhecer revelou todo o seu esplendor mas também a sua degradação.

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Nessa manhã, partíamos para a nossa exploração da autêntica Cuba, numa incursão de carro pelo seu interior, que pode acompanhar aqui. No final do circuito e antes de partirmos para Cayo Largo na manhã seguinte, ficámos mais uma noite em Havana, pelo que aproveitámos para iniciar o reconhecimento da cidade.

Chegámos a meio da tarde e como estávamos de carro, fomos logo ao local mais distante que queríamos visitar: a Plaza de la Revolucion, situada no El Vedado. Criada no tempo de Fulgêncio Baptista, ficou famosa durante a Revolução Cubana pelas várias manifestações e discursos de Fidel Castro aqui ocorridas.

Nela podemos encontrar o grande monumento de homenagem a José Marti, mártir da guerra da independência cubana, herói nacional e fundador do partido revolucionário Cubano. Mesmo em frente, no edifício do Ministério do Interior, a famosa imagem de Che Guevara e do lado oposto Camilo Cienfuegos fecham o círculo desta enorme e tão emblemática praça.

No regresso e já ao final da tarde percorremos de carro uma das avenidas mais conhecidas de Havana, o Malécon. Por aqui se juntam ao final do dia, muitos jovens para passear e namorar o que faz com que a avenida fique cheia de gente, sendo esta a melhor altura para a percorrer a pé. Se puder, vá durante o pôr-do-sol, pois a beleza de Havana intensifica-se com o cair do sol sobre o mar iluminando a velha cidade.

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Nessa noite, jantámos no restaurante Lamparilla (Tapas e Cervezas) e foi uma surpresa extraordinária. É realmente um restaurante muito bom e nota-se a vontade que o pessoal tem em fazer com que seja uma boa experiência para quem os visita. Para a qualidade apresentada, que nos surpreendeu face ao que já tínhamos experimentado em Cuba, não é nada caro. Recomenda-se!

Decidimos nesse momento que iríamos explorar melhor estes novos restaurantes paladares (particulares) que começam a surgir na cidade e que são bem melhores que os normalmente frequentados e recomendados aos turistas e que são do Estado, por isso vamos divulgar aqui todos os que experimentámos.

No noite de regresso de Cayo Largo, ficámos alojados mais 2 noites em Havana para visitarmos a cidade. Desta vez ficámos no Hotel Sevilha, bem no centro de Habana Vieja. É um hotel muito bom, bem preservado e com um charme incomparável.

Havana transporta-nos para outra era, faz-nos reviver totalmente os anos 50 e 60 não só pelos carros que percorrem as ruas mas igualmente pela arquitectura dos seus edifícios e das suas ruas, que não tiveram qualquer evolução nos últimos 50 anos. Havana faz-nos pensar na grandiosidade que em tempos teve, em que os Cabarés eram a casa da cultura teatral e musical deste povo, em que a vida nocturna e social da cidade, povoada por americanos, era inundada de sons e ritmos caribenhos… E acreditem que é um privilegio ter esta sensação 50 anos mais tarde, da forma mais genuína possível.

Nessa noite, e mantendo o que decidimos anteriormente, fomos jantar ao restaurante Ivan Chef Justo. É um restaurante muito acima da média. A confecção é excelente sendo que o preço é igualmente mais elevado. Não ficámos tão entusiasmados como no primeiro, e se pretende comer bem e barato, então este não é o local ideal.

Na manhã seguinte bem cedinho, fomos finalmente explorar a cidade velha, zona que, juntamente com as suas fortificações, foi em 1982 declarada património mundial da Humanidade pela UNESCO, por isso venha daí connosco percorrer as ruas de Havana.

Começámos por visitar o Museu da Revolução situado bem perto do nosso hotel. O Museu, instalado no antigo palácio presidencial, tem um elevado interesse histórico pelo que representa para a revolução e para o povo cubano, por isso vale muito a pena a sua visita.  É interessante ver que foram conservadas algumas salas do palácio intactas, como a Sala dos Espelhos e a escadaria principal, para que a população pudesse ver o luxo em que viviam os antigos presidentes. É um espaço com pouca interacção e dinamismo, estando, como tudo nesta cidade, um pouco ultrapassado, mas muito interessante.

Logo atrás do museu fica o Granma Memorial, que tivemos pena de não poder ver mais de perto por estar em manutenção. É aqui que está exposta a embarcação em que Fidel Castro e Che Guevara viajaram do México para Cuba para dar inicio á luta armada.

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Descemos depois o Paseo del Prado em direcção ao Castilho de São Salvador de la Punta. Nota-se que Havana está em renovação e que se rendeu definitivamente ao Turismo, parece que tudo está em obras, e que bem precisa. Nesta importante avenida estão a construir/reconstruir 2 enormes hotéis que trarão com certeza mais vida e animação à cidade.

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Já no Castelo pudémos ter a visão completa do Malecón e aproveitámos para nos refrescar um pouco com a brisa vinda do mar, pois com a temperatura e sol forte que faz esta cidade, é essencial!

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Seguimos pela avenida del Puerto em direcção à Plaza Vieja mas não sem antes passar pela famosa Bodeguita del Médio. Tínhamos já estado na de Trinidad, mas esta é uma visita obrigatória para quem visita Havana. O espaço é muito pequeno, tem sempre muita gente e a música ao vivo anima, e de que maneira, o ambiente. Nas imediações, por ser um local muito visitado por turistas, há sempre uns “personagens” que pedem uns pesos em troca de umas fotos, e temos de reconhecer que tem a sua graça!

Na Plaza de la Catedral, logo ali ao lado, podemos ver a velhinha Catedral de Havana, datada do Séc XVIII. É nesta praça que se encontram frequentemente algumas cubanas vestidas a rigor e fumando os seus charutos…foi aqui que conhecemos a “Senhora Habana”, a Santa de Cuba!

Continuámos para a Plaza de Armas que tem a particularidade de ter o chão todo em madeira. Aqui existe um “mercado” onde se vem vender/trocar livros e velharias em geral. É curioso ver e conhecer os livros “permitidos” pelo governo. Como calculam a limitação é enorme e percorrendo Cuba é comum ver sempre os mesmos livros nas poucas livrarias existentes.

Decidimos almoçar na Plaza Vieja mas passando primeiro pelo Castillo de la Real Fuerza, a mais antiga fortaleza da América Latina, construido em 1577.

Na Plaza Vieja os edifícios já estão praticamente todos restaurados e em todos eles há a indicação para o propósito que foram construídos e fotos do seu estado degradado antes da renovação da praça. Fizeram um excelente trabalho. Um dia, quando toda a Havana for reconstruída voltará a ser magnifica, bela e vibrante como antes…e aqui se pode ver o quão bela ficará.

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Tínhamos como objectivo regressar ao parque central, e para isso escolhemos a Calle Obispo, a rua mais comercial e mais movimentada desta zona histórica. Como calcularão o comércio em Cuba é muito limitado pois além de não haver praticamente poder de compra não há igualmente muitos bens para comprar. Mas vale a pena subir a rua para apreciar o movimento das pessoas no seu dia-a-dia.

Continuámos para o parque central onde parámos para descansar na esplanada do Hotel Inglaterra. É o hotel mais antigo de Cuba (inaugurado em 1875) e é muito bonito. Vale a pena espreitar também o seu interior.

Logo ao lado do hotel está, para nós, o edifício mais bonito de Havana: o Gran Teatro de La Habana. Não pudemos entrar pois estava a decorrer um evento privado mas não deixe de verificar se está aberto para poder ver o seu interior.

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Na praça imediatamente a seguir está o famoso Capitólio de Havana. O edifício é uma recriação do Capitólio de Washington e foi sede do Governo até 1959. Na altura da nossa visita estava encerrado para obras de recuperação.

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Por isso aproveitámos e fomos visitar a fábrica de tabacos Pártagas que fica logo atrás do Capitólio. Já não fabricam charutos aqui, pois agora todas as fábrica ficam fora da cidade, mas é possivel de visitar o seu interior durnte a manhã e tem ainda a loja aberta, pelo que pode aproveitar para comprar aqui os tão famosos puros.

Ao final do dia fomos novamente à Malecon, mas desta vez a pé, para apreciar devidamente o pôr-do-sol. Como o restaurante escolhido para esta noite, o La Gitana, ficava na zona de Habana Centro, depois do passeio encaminhámo-nos para lá. A comida é bastante razoável e nada caro, mas gostámos especialmente do atendimento e simpatia dos funcionários!

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À noite, e seguindo as famoss palavras de Hemingway: “O meu mojito é na Bodeguita e o meu Daiquiri é na Floridita!” fomos provar o Daiquirí na Floridita! O espaço tem o seu encanto e carisma, está bem decorado e tem muita animação. Os Daiquiris são realmente óptimos 🙂 Vale beber mais que um!

Demos uma volta à noite e verificámos que apesar de durante o dia a cidade estar inundada de turistas durante a noite mal se veem. É um pena pois Cuba é bastante segura e poderia ter mais vida durante a noite, mas compreendemos que as pessoas tenham medo dada a pouca iluminação nas ruas e a grande degradação dos edificios que leva muitos a sentirem-se inseguros.

Na manhã seguinte tínhamos definido um passeio num dos famosos carros descapotáveis dos anos 50 e existem muitos em Havana bastanete bem conservados. Acordámos 35 CUC por um passeio de 1 hora.

Como ja tinhamos conhecido praticamente tudo pedimos que o circuito fosse fora do comum. Assim, fomos ao Parque Florestal Urbano que é lindíssimo, ao jardim John Lennon, à Universidade de Habana e andámos por Miramar e pelo Vedado. só a apreciar a cidades.Tivemos a sorte de ter um motorista muito simpáctico e culto que nos elucidou sobre algumas questões que tínhamos acerca do país e dos costumes. Ficámos a saber que os Cubanos agora já podem ter casa própria mas que, caso precisem, o estado garante uma, por exemplo. No caso do nosso motorista preferia trabalhar com turistas  ao invés de Engenharia para o qual estudou, para conseguir dar uma vida melhor à filha, embora tivesse já uma licenciatura e estivesse a terminar a segunda numa área complementar.

Concluímos o passeio ficando no hotel Habana Libre (fundado inicialmente como El Hilton de La Habana) que aproveitámos para visitar, por ser o hotel mais emblemático de Havana. Tomado aquando da entrada viroriosa de Fidel Castro em Havana em 8 de Janeiro de 1959, converteu-se desde esse dia e durante 3 meses posto de comando da revolução onde Fidel, a partir da Suite Continental, dava conferências e reunia com diversas personalidades políticas. A 11 de Junho de 1960, por problemas de dívidas e incompatibilidades com o novo governo, o hotel foi nacionalizado e passou a chamar-se Habana Libre.

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Deste fomos até ao Hotel Nacional, outro hotel histórico e emblemático, este pelos seus ilustres hóspedes ao longo das suas décadas de existência, tais como artistas famosos, actores, escritores, atletas e governantes internacionais. O hotel é lindíssimo e o mais luxuosos em Cuba. Aproveite para relaxar um pouco na esplanada do seu magnifico jardim e apreciar a vista, como nós fizemos.

A terminar a nossa estadia em Havana deixámos para o último dia, a louca e fabulosa aventura de um Côco Taxi e almoçar num dos restaurantes mais famosos de Havana, o La Guarida! Fica num edificio (tipo cortiço) no El Vedado e foi aqui que foi filmado o premiado filme “Morango e Chocolate” e é claramente um restaurante de topo, não só pela qualidade da comida, mas pela decoração, atendimento e ambiente. Não é barato, mas recomendamos vivamente! Reserve antes para não perder a viagem, pois pelo que vimos é bastante concorrido. Foi provavelmente a melhor refeição que tivémos ao longo destes 12 dias em Cuba.

Havana surpreendeu-nos de muitas e variadas formas, e deixou saudades em algumas coisas que se pudessemos, repetiriamos novamente.

A imponência misturada com a degradação, o colorido das casas, as ruelas, o mar, os carros da década de 50, as suas gentes, o clima caribenho, a música que se ouve permanentemente, isto é Havana!

Nota: Viagem realizada em Maio de 2016

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