Mindelo, a capital cultural de Cabo Verde

Aterrámos no aeroporto Cesária Évora, Mindelo ao início da tarde de sábado. Vínhamos com elevadas expectativas, uma vez que tínhamos lido sobre as pessoas, a comida, os costumes, etc…

Ficámos alojados numa Guest House chamada Casa Café Mindelo praticamente no centro da cidade, na Avenida Marginal. O nosso quarto tinha uma vista maravilhosa sobre a marina e a baía, com o Monte Cara no horizonte.

A casa é de dois portugueses de Guimarães que sabem e gostam de receber. Em conversa, disseram-nos logo que para conhecermos melhor a comida de Cabo Verde tínhamos de experimentar Barriga de Atum, Garoupa Madeira, Carrasco e Cachupa Guisada. Começámos por barriga de atum ao almoço (apesar de já tardio) e começámos mais que bem! É simplesmente delicioso! O restaurante é muito acolhedor com comida fresca e muito bem confeccionada. É aliás umas da características desta cidade. Come-se muito bem! Ficámos com a ideia de que o que se apresenta nos hotéis mais frequentados pelos portugueses no Sal e na Boa Vista não fazem de todo juz à qualidade e variedade da gastronomia cabo-verdiana.

Entretanto, aproveitamos a resto da tarde para dar uma pequena volta a pé pela cidade, pois no dia seguinte iamos para Santo Antão e só teriamos depois segunda-feira para conhecer melhor o Mindelo e o resto da ilha de São Vicente, mas essa parte deixemos para outro post.

Mesmo junto à marina e ao mercado do peixe existe uma réplica (horrível por sinal) da lisboeta Torre de Belém. É o Museu do Mar que não visitámos dado que, sendo fim-de-semana, estava encerrado.

A cidade estava muito calma e as ruas praticamente desertas. Estariam provavelmente a preparar-se para mais uma das sempre animadas noites de sábado no Mindelo. Mas deu para ficarmos fascinados com os encantos da cidade.

O Mindelo é lindo, cosmopolita, romântico, muito limpo e arranjado. É a segunda maior cidade de Cabo Verde e certamente a mais europeia de todas elas. É realmente um Cabo Verde diferente do conhecido pela maioria dos portugueses, já que normalmente escolhem as ilhas mais turisticas para visistar. A cidade tem uma arquitectura de elevada influência portuguesa e britânica, com muitos edifícios muito bem conservados, ainda do tempo colonial. Os cabo-verdianos têm claramente orgulho neste passado considerando até os portugueses como irmãos.

Um dos principais e mais emblemáticos edifícios da cidade é o Palácio do Povo ou Palácio do Governador, um magnífico edificio de estilo colonial situado no centro histórico, e que é actualmente também um espaço de cultura, e onde frequentemente se apresentam as mais variadas exposições.

Como cidade de descendência portuguesa que é, e como não podia deixar de ser, o futebol é também motivo de orgulho e conversa de café aos Domingos. Mesmo com o seu próprio clube, o Mindelense, clube da cidade, e um dos mais importantes de cabo Verde, é o Benfica que enche o coração dos mindeleses. E como nos disseram, quando o Benfica é campeão, há festa na cidade durante 3 dias.

Quando anoitece,  a cidade transforma-se! Por todo lado se ouve música nas ruas, os bares com música ao vivo enchem-se de gente  e a cidade vibra de emoção.

Em todos os locais se sente a “morna” ou não fosse esta a cidade onde nasceu Cesária Évora e Tito Paris, os mais famosos artistas de Cabo Verde, cujo nome levou a música  e os ritmos cabo-verdianos aos quatro cantos do mundo. As ruas da cidade fecham ao trânsito, montam-se palcos, e o povo adere em massa a estas manifestações de cultura, independentemente da idade, género ou raça. A noite da cidade é vibrante, sendo que junto à praia da Laginha (praia da cidade) existem ainda vários bares e discotecas com animação que perdura até altas horas da madrugada.

Segunda-feira, a cidade parecia outra. As ruas cheias de gente num corropio e azáfama matinal. Fomos então visitar os mercados da cidade. Foi essencial para perceber o porquê da variedade gastronómica que encontrámos quando chegámos e que nos deixou completamente rendidos.

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Tanto o Mercado Municipal (produtos agrícolas e carne) como o Mercado do Peixe são de visita obrigatória. Por todo o lado se sente a simpatia, hospitalidade e humildade dos Mindelenses.

O Mercado do Peixe é muito limpo e organizado e com uma enorme variedade de peixe. Todos os dias podemos ver os pescadores a chegar com os seus barcos cheios a descarregarem o peixe para vender no mercado.

Já no mercado Municipal, igualmente limpo e organizado encontramos os produtos horticolas, sempre muito frescos e com uma apresentação que não nos deixa indiferentes e que nos leva a sabores já experienciados.

Quem procura o Mindelo para conhecer a essência, a arte e a cultura cabo-verdiana está claramente no local certo. Por aqui respira-se isso mesmo. Mas se procura praia, então as ilhas Sal e Boa Vista deverão ser o seu destino. Não que por aqui não se possa fazer praia.

O Mindelo tem até uma óptima praia, a Praia da Laginha, frente à qual os mindelenses tem por hábito fazer jogging e outro tipo de desportos, mas nada que se compare com as praias das outras ilhas que referi.

Na subida para o Monte Verde ficámos com uma perspectiva geral da cidade. Conseguimos perceber o enquadramento da cidade na paisagem e a generosidade da natureza em ter fornecido a esta ilha este belo porto natural.

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É uma cidade obrigatória para quem quer conhecer a essência, tradição e cultura deste povo. Ficámos apaixonados!

Nota: Viagem realizada em Novembro de 2015

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