Bogotá, capital do El Dourado

Bogotá é tudo aquilo que se espera de uma das maiores cidades da América Latina. É populosa (cerca de 7 milhões de habitantes), ruidosa, fervilhante, vibrante e organizada do seu próprio jeito!

Uma das maiores dificuldades que tivemos foi lidar com a altitude da cidade. Bogotá é a terceira capital mais alta do mundo. Fica situada num enorme planalto na cordilheira oriental andina, a uma altitude de 2.640 metros, o que faz com que tenhamos de nos habituar à pouca quantidade de oxigénio existente.

Quando referimos que tivemos alguma dificuldade em respirar, também não sei muito bem se foi só pela rarefação do ar ou pela poluição derivada do trânsito que é simplesmente caótico.

O meio de transporte que mais usámos nas nossas deslocações em Bogotá foi o táxi. Os carros são muito pequenos mas as tarifas são extraordinariamente baratas. Há dois tipos de táxis: há os amarelos que são usados pela população em geral e que têm taxímetro (este apresenta um número que, numa tabela, fazemos corresponder ao valor a pagar); depois há os brancos que não tem taxímetro e o preço deve ser previamente combinado de forma a não haver surpresas. Usámos principalmente o táxi amarelo que além de ser o mais barato é igualmente o mais “aventureiro”, tendo em conta a forma como eles conduzem.

Há duas regiões mais indicadas para ficar alojado em Bogotá quando se visita esta cidade: ou nas proximidades da zona T ou no Bairro de La Candelária, zona histórica da cidade, com os seus encantos e arquitectura colonial. Nós ficámos num hotel na zona T, área de comércio, bares e com os restaurantes mais interessantes da cidade, e quanto o nós o melhor sitio para ficar, pois á noite a zona histórica fica deserta e toda a movimentação se concentra nesta pequena área.

Como chegamos já ao final da tarde aproveitámos logo para conhecer a zona T que ficava a escassos metros do nosso hotel e facilmente acessível a pé. É realmente onde, partir do final da tarde, ganha uma vida fantástica, cheia de animação. Os colombianos mostram claramente que gostam de sair à noite, jantar e conviver com os amigos, pois independentemente do dia da semana havia sempre gente na rua por estes lados.

No dia seguinte ocupámos a manhã a descobrir o Bairro da La Candelaria. Para terem uma noção dos valores dos táxis amarelos, do nosso hotel até esta zona fizemos um percurso aproximado de 12km e pagámos cerca de 3€ a viagem, por isso não vale mesmo a pena procurar outro meio de transporte para as deslocações na cidade.

Chegados ao Bairro de La Candelaria conseguimos perceber logo o seu encanto. Esta é a zona histórica e a mais antiga de Bogotá e conserva de forma bastante perfeita o estilo colonial da cidade. Para conhecer o bairro o ideal mesmo é passear a pé pelas suas ruas típicas e coloridas.

É também aqui que encontramos a famosa Igreja que dá o seu nome ao bairro, a “Iglesia de Nuestra Señora de La Candelaria”, construída durante o período colonial espanhol e declarada Monumento Nacional desde 1975.

Descendo as ruas da Candelaria encontramos a principal praça de Bogotá, a Plaza Bolivar, figura incontornável da história da América Latina. Nesta praça podemos encontrar os principais edifícios da cidade, como o Palácio da Justiça, o Capitólio Nacional, a Catedral Primada, e outros edifícios de igual importância nacional. Nesta praça realizam-se as manifestações políticas e eventos culturais mais importantes da cidade. Aproveite para apreciar a beleza dos seus edifícios, assim como comer uns petiscos ou comprar algum artesanato aos vendedores de rua que por aqui se encontram. Não deixe também de entrar na Catedral, que é muito bonita.

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Saindo da praça e seguindo pela Carrera 7, encontramos o Palácio Presidencial (Casa de Nariño), residencial oficial do presidente da Colômbia e sede de governo do país. Como seria de esperar não nos conseguimos aproximar muito, mas da rua dá para termos uma ideia da beleza do edifício e dos seus jardins.

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A cerca de 10 minutos a pé da Plaza Bolivar para o lado oposto ao Palácio, encontra-se o Museu do Ouro. Este Museu evoca bem a importância que o ouro teve, e tem ainda, na história do país. Atrevemo-nos a dizer até que foi devido a ele que o povo sofreu tanto durante a ocupação espanhola que se iniciou no Século XVI. O Museu é muito interessante e apresenta peças muito bem conservadas, inclusive da época pré-colombiana. Vale bem a pena a sua visita. Atenção que o Museu está encerrado às segundas-feiras, por isso programe bem a sua visita se não o quiser perder. O ingresso custa 3000 pesos (cerca de 1€) e aos Domingos é gratuito.

Após a visita ao Museu, regressámos a zona da Candelaria, pois tínhamos visto por lá alguns restaurantes e após uma pequena volta resolvemos entrar para almoçar num que ficava mesmo em frente à Universidad Libre e que se chamava “La Marquesa del Carmen”. Entrámos porque tinha um menu à porta mas rapidamente percebemos que não era um restaurante comum e sim uma casa familiar onde era servidos almoços. O preço do menu era de 10.000 pesos (cerca de 3€) e incluía entrada, prato de carne ou peixe, bebida e sobremesa, pelo que é extremamente barato. Aliás, todas as refeições que fizemos na Colômbia foram sempre muito baratas. Estava completamente cheio e pelo que percebemos era um restaurante que os habitantes locais frequentavam diariamente. Vale a pena dizer que em qualquer sítio que fomos sentimos sempre os colombianos muito hospitaleiros, simpáticos e orgulhosos do seu país e cultura. Falta dizer que a comida estava óptima!

Da parte da tarde subimos ao Cerro de Monserrate, local de peregrinação desde o tempo colonial devido à “Basílica del Señor de Monserrate” aqui situada. É possível aceder ao topo através de um passeio pedonal (não aconselho), teleférico ou funicular.

Nós utilizámos o funicular, dado que o teleférico estava encerrado para manutenção. Durante a subida, até cerca dos 3000 metros de altitude, dá para irmos tendo uma perspectiva da imensidão desta cidade.

Chegando ao topo, a vista é simplesmente deslumbrante, diríamos mesmo, de cortar a respiração e conseguimos ter uma visão completa da cidade e da sua magnitude. Difícil de transmitir por palavras. Nada como estar lá para sentir! Ficam as fotos…

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Terminámos o dia com uma ida ao famoso restaurante Andrés Carne de Rés. Já sabíamos que era um dos pontos obrigatórios a ir em Bogotá e é realmente uma experiência única. Convém efectuar reserva antecipadamente, como fizemos aqui, com pelo menos 15 dias de antecedência, pois o restaurante é muito concorrido, principalmente ao fim de semana, e poderá perder a oportunidade.

Além da decoração espetacular e exuberante, tem diferentes ambientes, música e animação, os funcionários são muito simpáticos e atenciosos e a comida é verdadeiramente extraordinária. O restaurante tem 4 pisos, representando em cada um deles, um dos níveis do juízo final. A base das refeições é, logicamente, a carne de vaca, mas tem também outras iguarias deliciosas e o preço, tendo em conta a qualidade, não foi nada de especial. Por mais que escrevamos julgo que, neste caso, as imagens serão a melhor forma de vos dar uma ideia do espaço.

A decoração do restaurante até pode ser alusiva ao Inferno e ao juízo final, mas a comida é dos Deuses!

Na manhã seguinte deixámos espaço para visitar Zipaquirá, cidade mineira onde se situa a Catedral de Sal, única no mundo.

Há várias empresas a fazerem passeios para este local, incluindo também a visita ao Lago Guatavita. O lago era um lugar sagrado onde, segundo a tradição muísca, se realizava, a bordo de uma jangada ricamente adornada, a cerimónia de tomada de posse do novo cacique e se faziam oferendas aos deuses de peças em ouro, e cujas histórias deram origem à famosa lenda do “El Dourado”. A imagem da jangada pode ser vista no Museu do Ouro.

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Optámos por não ir a Guatavita pois demorava um dia inteiro e o valor que nos pediram era muito exagerado. Mas combinámos preço num dos táxis brancos para ir a Zipaquirá (os táxis amarelos não têm este serviço, pois não esperam por nós para fazer o regresso).

A Catedral fica situada numa antiga mina de sal onde, devido à elevada crença e fé, os mineiros foram esculpindo, ao longo do tempo, uma catedral na rocha de sal. A Catedral tem várias capelas cada uma representando uma das etapas da caminhada de Jesus Cristo na Via Sacra até à crucificação. Os mineiros consideravam que desta forma trabalhariam protegidos pois sentiam Deus “olhava por eles” devido a estarem em permanente adoração. É fantástico perceber o trabalho monstruoso que tiveram para construir esta obra de arte. Vale muito a pena fazer a viagem para conhecer.

De regresso a Bogotá, e porque no dia antes (Domingo) estava encerrado, voltamos à Candelaria para ir ao Museu Botero. Este museu tem uma excelente exposição sobre as obras do famoso pintor e escultor colombiano Fernando Botero, facilmente reconhecidas pelas suas formas “redondas”. Vale a pena conhecer, pois além de ser gratuito, a sua visita não ocupa mais de 1 hora. Para quem não conhece a obra e/ou o artista, ficam as fotos…

À noite fomos jantar na “Central Cevicheria”, um restaurante especializado em Peixe/Ceviche e que é uma referência na cidade de Bogotá!

Para terem uma noção do serviço, mesmo chegando um pouco antes das 20h, ainda estivemos algum tempo na fila para entrar. Enquanto aguardávamos, os funcionários iam passando regularmente com travessas de pequenos aperitivos para que os clientes não se sentissem abandonados e fossem petiscando algo. Posteriormente e enquanto preparavam a nossa mesa fomos convidados a sentar ao balcão onde nos serviram bebidas e aproveitámos para fazer o pedido. Finalmente, quando nos sentámos, os pratos foram servidos quase de imediato… E valeu a espera! Foi de longe dos melhores ceviches que já comemos. Por tudo isto, este é um restaurante destinado a uma pequena faixa de colombianos uma vez que tem um preço médio alto. Recordo-me que pagámos cerca de 40€ para duas pessoas, mas, para a qualidade apresentada, e em padrões Europeus, não se poderá considerar caro.

Para terminar é importante dizer que Bogotá transpira toda a essência da Colômbia e que nos surpreendeu bastante, adorámos mesmo conhecer. A cidade é linda, a comida deliciosa e o povo muito caloroso e hospitaleiro.

Daqui seguimos, no dia seguinte, para Pereira para conhecer a região cafeeira deste país, considerado o maior produtor de café do mundo, mas isso são histórias para seguir mais á frente.

Nota: Viagem realizada em Setembro de 2015

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