Bali, a Ilha dos Deuses

Bali é um ilha da Indonésia, país predominantemente Muçulmano e composto por mais de 17.500 ilhas.

Sendo uma antiga colónia Holandesa o país apenas existe enquanto tal após o final da segunda grande guerra mundial.Muitos acreditam que o primeiro Europeu a chegar à ilha foi Marco Polo no séc XIII mas há quem defenda que, uma vez mais, foram os Portugueses os primeiros europeus a chegar à ilha em 1585.

É fácil perceber que cada ilha tem a sua cultura, costumes, tradições e por vezes, como é o caso de Bali, a sua própria língua que é o Balinês. O país começou por ser predominantemente Hindu, mas com a chegada dos comerciantes islâmicos e europeus houve grande dispersão religiosa.

Como referi anteriormente o país é predominantemente Muçulmano excepto Bali que, uma vez mais se mostra diferente do mesmo, mantendo as suas origens, cultura e tradições intactas. Aliás, pareceu-me que estas características estão cada vez mais fortes uma vez que a espiritualidade faz parte da vida do povo que habita esta ilha.

Nesta viagem a Ana não me acompanhou sendo uma das poucas que escreveremos neste blog que não tenham sido em conjunto. Fui com dois grandes amigos (a Carla e o Hugo) e o objectivo era descansar mas sem deixar de visitar os pontos mais interessantes da ilha.

IMG_2986

Chegados a Dempasar, alugámos um jipe e seguimos para o hotel. Pelo que lemos, e verificámos posteriormente, seria impossível visitar a ilha recorrendo a transportes públicos. Terão, caso queiram evitar as excursões, de alugar carro ou mota. Os combustíveis são muito baratos sendo que terão apenas de se habituar a conduzir pela esquerda e a ter cuidado redobrado pois é um país onde a moto é o meio de transporte principal.

Ficámos alojados no Tropic Bali resort na zona de Nusa Dua, uma das zonas mais implantadas em termos turísticos. O hotel é bastante bom e tem uma óptima relação custo/benefício. Nesta zona encontramos comércio, bares, restaurantes e tudo o que necessitamos se o nosso objectivo não é ficar dia após dia no hotel. De realçar que a alimentação, como em praticamente toda a Ásia, é muito barata. Mesmo estando numa zona turísticas fazíamos refeições baratíssimas.

Algo que nos intriga logo no primeiro contacto com a ilha é as pequenas caixinhas que encontramos por todo o lado, no chão, colocadas em parapeitos, em muros, etc… Pelo que conseguimos perceber são oferendas aos Deuses e têm desde flores, arroz, bolachas, cigarros, moedas, etc… As que estão no chão são inevitavelmente destruídas e por ali ficam, até que os Deuses as recebam 🙂 Todos os dias o ritual se repete várias vezes e as ruas, com esta tradição, ficam ainda mais sujas. As oferendas colocadas no chão servem para acalmar os espíritos maus e as que ficam em lugares mais elevados agradecem aos espíritos bons.

18121309-Offerings-to-gods-in-Bali-with-flowers-food-and-aroma-sticks-Stock-Photo

Tudo nesta ilha é espiritual. Há templos a cada esquina e existem 3 tipos destes. Os particulares, os locais (cada pequena aldeia tem um) e os públicos onde são realizadas cerimónias para os Deuses. Muitos destes últimos são abertos para o público e foram alguns destes que tentámos ver durante a nossa estadia em Bali. Tanto os particulares como os locais estão sempre fechados e acessíveis apenas aos Balineses. O único pequeno templo que visitámos e conseguimos ver foi no hotel onde ficámos hospedados.

Dos 5 dias que tivemos em Bali decidimos descansar 2 e visitar a ilha em 3 deles sabendo às partida que, pela sua dimensão, seria impossível ver tudo o que Bali nos poderia oferecer. A ilha tem cerca de 5.300 km2. Para termos uma ideia a ilha da Madeira tem cerca de 700 Km2, o que nos diz muito da dimensão desta ilha. Iniciámos o nosso percurso por ir conhecer o templo mais conhecido de Bali, o Tanah Lot.

mapa dia 1

Saímos logo de manhã para chegar cedo ao templo. Estes tempos mais famosos e importantes da ilha estão normalmente abertos ao publico. No Tanah Lot o que é interessante é claramente a sua envolvência uma vez que o templo está no mar e apenas se consegue aceder ao mesmo se estiver maré baixa. No dia que visitámos estava maré baixa mas como calculávamos estava encerrado. Todos estes templos exigem um pagamento à entrada, mesmo sendo simbólico, e todos eles têm igualmente lojas e barraquinhas para que consigam vender algo aos turista. Nota-se claramente que o turismo tem grande impacto na vida diária dos habitantes da ilha.

Estima-se que este templo foi construído no século XVI e foi alvo de intervenção de restauro por parte do governo na década de 80. O templo ameaçava ruir e foi com a ajuda do governo Japonês que o governo indonésio conseguiu criar uma base suporte para que o mesmo não ruísse.

Daqui seguimos para outro importante templo para os Balineses, o Uluwatu. Passámos por Kuta Beach, e seguimos em direcção ao templo que pretendíamos visitar. Aqui chegados percebemos que os macacos eram a principal animação dos turistas sendo que interagiam bastante com estes. Nesta visita fomos obrigados a usar o sarong, uma toalha que se prende à cintura de forma a taparmos as pernas, caso vamos de calções.A visita ao templo vale claramente pela paisagem que é magnífica.

Com esta visita o dia ficou preenchido. As estradas em Bali são perigosas e os percursos fazem-se com muito cuidado uma vez que as motas surgem de todos os lados!

No segundo dia fizemos o nosso maior percurso. Queríamos muito conhecer Ubud, o berço do artesanato de Bali, mas igualmente o templo de Ulun Danu, junto ao lago Danau Beratan.

mapa dia 2

O percurso foi duro mas no caminho tivemos oportunidade de ver uma Bali mais tradicional, mais familiar, mais rural… É fácil perceber a importância que a agricultura tem  no quotidiano destas pessoas e compreender a relação deles principalmente com o arroz. O Arroz é uma cultura que aqui dá 4 colheitas por ano e em cada m2 dá produz cerca de 0,5 Kg em cada colheita. Além de ser a base da alimentação das famílias é sobretudo, em algumas zonas, uma fonte de rendimento muito importante. Mais tarde, ainda nesse dia, veríamos os terraços de arroz que são típicos e comuns nestes países Orientais.

Chegados a Pura Ulun Danu ficámos deslumbrados… O local é num sopé de um lago e nesse dia tivemos a sorte de estar cheio de locais. Não conseguimos perceber o que se passaria no entanto foi muito interessante ver aquela celebração.

Mesmo não sendo uma pessoal crente e espiritual aqui sente-se algo de diferente. Sempre me intrigou, até na nossa cultura católica, como se adora algo ou alguém que não se vê, que não se consegue tocar, que não sabemos se existe… Aqui venera-se algo que se sente e é isso que invejo, sentir e não necessitar que nenhum dos meus 5 sentidos consigam justificar essa crença. Eu não consigo fazê-lo e acreditem que por vezes sinto falta dessa componente da vida humana. Em Bali sentimos algo de diferente em relação à espiritualidade e isso, suponho, deverá ser muito bom…

Descemos para Ubud, a capital cultural e artística da ilha. Ubud, embora seja na montanha e longe das praias da ilha encerra em si uma vertente que não é vista em mais nenhum aparte da ilha. Há lojas de artesanato como não voltámos a ver por todos os percursos que fizemos. Aqui sim, o artesanato tem muita qualidade e variedade e desengane-se que acha que o mesmo não é valorizado por eles. Embora seja aceite e comumo regateio os Balineses têm noção da qualidade dos produtos que vendem. Em Ubud, mesmo em mercados de rua, quando se tratavam de produtos de qualidade superior, eram muito renitentes à negociação.  Vale claramente a visita pois o ambiente e espírito que encontramos nesta vila não se encontra em mais nenhum local da ilha.

No regresso ao hotel pudemos, finalmente, ver os terraços de arroz de Bali. Julgo que estas fotos dispensarão qualquer tipo de comentário.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O dia foi duro, cansativo. Pensámos ainda fazer um desvio para o lado Danau Batur mas já não conseguimos tendo chegado já ao hotel de noite. Durante as noites tínhamos por hábito comer fora do hotel. Além de ser mais barato conseguíamos desta forma experimentar a gastronomia Balinesa que é muito diversificada e rica. Algumas noites fomos ao Bali Collection (http://bali-collection.com/) que é uma zona nova de hotéis, vivendas e um shopping enorme com marcas internacionais. É uma zona claramente para turistas e tem algumas marcas (atenção que podem ser falsificações) que poderá compensar fazer algumas compras.

No terceiro e último dia de visitas de carro passeámos calmamente e tentámos descobrir as praias da parte sul da ilha. Só esta zona é usada para praia pois pelo que tínhamos lido há muitas praias na ilha que têm inclusive areia escura. A praia que mais destacamos é a Dreamland Beach, na zona de Jimbaran. Existe aqui um hotel, o Klapa New Kuta Beach, que embora não seja fantástico (a julgar pelas opiniões de tripadvisor) tem uma piscina que “cai” sobre o mar que é muito bonita.

Claro que saindo do hotel nada mais se consegue fazer aqui… A pé não se chega a nenhum lado enquanto na zona de Nusa Dua existe esse possibilidade. Jimbaran é, por excelência, uma zona de surfistas e é muito habitual vê-los a praticar surf nesta zona. Em relação às praias tenho uma opinião muito radical em relação a este destino. Ninguém deverá vir para Bali à espera de praias de sonho. Há algumas muito bonitas mas honestamente há no sudoeste asiático opções mais perto da Europa com muito mais qualidade. Alguém que venha apenas com esse intuito terá inevitavelmente uma decepção. A limpeza não é igualmente a desejada e é normal ver esgotos a desaguar junto de praias o que não é propriamente o meu conceito de paraíso! Sendo um destino de Surf percebe-se que o mar tem ondulação mas para um Português habituado à nossa costa isso acaba por ser um extra uma vez que se consegue uma mistura de ondas com água quente 🙂

Podendo resumir diria que é um destino interessante com uma grande componente espiritual mas que definitivamente não será destino de praia. O custo de vida é baixo e é perfeitamente possível, depois de chegar, fazer umas férias muito baratas. Voltaria mas teria com certeza outra abordagem ao destino como tentar conhecer a ilha toda e não esperar que praia fosse o principal objectivo da viagem.

Nota: Viagem realizada em Outubro de 2013

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s