Bilbau, capital da cultura Basca

Bilbau, capital da província de Biscaia, é daquelas cidades que andávamos a namorar há já algum tempo, sendo perto o suficiente para uma escapadinha de fim-de-semana. E ainda mais quando sabemos que a TAP tem voos directos e com horários perfeitos para o podermos fazer.

Completamente entalada entre montanhas, Bilbau cresceu ao longo do rio Nérvion, em direção ao mar, e é hoje tida como o coração pulsante do País Basco.  Por isso, aproveitando o aniversário do Luis (todas as desculpas são válidas para viajar, não é mesmo?) e em jeito de celebração lá nos decidimos a ir.

Saímos de Lisboa na sexta-feira ao final da tarde e chegámos a Bilbao por volta da meia-noite. Ficámos no Barceló Bilbao Nervión Hotel, afinal a data especial e merecia uma estadia com tudo o que temos direito. O hotel é muito bom e fica muito bem localizado para quem visita a cidade, pelo que o podemos recomendar sem reservas.

No dia seguinte, ocupámos a manhã com aquele que é hoje um dos maiores atractivos de Bilbau, o Museu Gugghenheim. Desenhado pelo famoso e premiado arquitecto Frank Gery, abriu portas em 1997 e desde então que se tornou o maior símbolo da modernidade desta cidade. A visita começa logo pelo seu exterior, não só pela beleza e originalidade do edifício em si, mas também pelas esculturas permanentes existentes ao seu redor. A mais famosa é sem dúvida o “Puppy”, o cachorro florido que se encontra bem na frente da entrada do museu e que é  magnifico.

É daqueles locais que são absolutamente imperdíveis, principalmente para os amantes da arte moderna e contemporânea. São vários os artistas famosos que já expuseram os seus trabalhos neste museu, sendo um dos mais conceituados do mundo. No dia em que fomos, um dos artistas presentes era a portuguesa Joana Vasconcelos, e apesar de já termos visto outras exposições dela, é sempre um prazer ver os seus trabalhos divinais. Só por isso já valeria sempre a pena, além de que era a exposição com maior destaque naquela altura.

Depois de conhecer por completo o Gugghenheim, e com a fome já a apertar, decidimos ir andando até ao centro de cidade. Pelo caminho, passámos pela Zubizuri (ponte branca, em basco), também conhecida como ponte de Calatrava, o nome do arquitecto que a desenhou. Nada mais que uma simples ponte pedonal, de formato em arco, suspensa com cabos de ferro, pintada de branco e com chão de vidro. Sinceramente, não lhe achamos nada de especial!

Entretanto, já sabendo da fama da gastronomia basca, resolvemos optar por fazer a nossa refeição num dos locais preferidos dos habitantes locais, o Mercado da Ribeira (Mercado de La Ribera). Quando chegámos, o mercado em si, já estava praticamente no fim, mas a zona de refeições estava ao rubro. O espaço é composto por vários “quiosques”, que apresentam uma grande variedade de produtos frescos e prontos a consumir. A verdade é que a escolha se torna demasiado difícil, pois dá vontade de provar tudo.

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Da parte da tarde, o nosso objectivo era explorar o centro histórico da cidade, o Casco Viejo ou Las Siete Calles, como lhe chamam. Por isso, após o delicioso manjar, lá fomos, bem devagar, deambulando pelas ruelas medievais do bairro, nesta tarde quente de um sábado de Agosto, que nem a sombra da imponente Catedral conseguia refrescar. Por aqui, encontrámos edifícios antigos cheios de histórias para contar e esplanadas repletas de gente, de conversas animadas e risos contagiantes, num rodopio que aumenta à medida que o cair da tarde se aproxima.

Terminámos o dia, na Plaza Nueva, entre pintxos e cañas, num convívio único. Nas arcadas desta enorme praça, onde se escondem inúmeros restaurantes e bares, o espirito é ir petiscando aqui e ali, trazer tudo para a rua mesmo e ficar horas neste ritmo até nos cansarmos. Já agora, para quem não sabe, os pintxos são tapas bascas compostas por uma fatia de pão com as mais diversas construções gastronómicas em cima, mantidas no lugar por um palito (origem do nome). E deliciosas, por sinal!

No dia seguinte, e depois de uma noite animada, ficamos a descansar até mais tarde pelo que saímos à rua já ao final da manhã. Resolvemos sair do centro e experimentar o ultramoderno metro de Bilbao. O destino era Portugalete, mas optamos por explorar um pouco mais e saímos na estação seguinte, na esperança de ficarmos mais junto ao mar, pois vimos muitos passageiros que iam preparados para a praia. Mas não, talvez estivessem a regressar, pois o local era uma zona habitacional, embora junto a um enorme porto. Aqui nota-se bem o quão industrial é esta região, tal o tamanho deste porto e dos que conseguíamos ver ao redor.

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Voltámos ao metro e agora sim, saímos em Portugalete. E o que aqui existe que nos tenha feito ir até lá? Bem, a zona em si, não tem nada de especial, é mais uma zona habitacional como tantas outras, mas a ponte que liga as duas margens, essa sim é especial.

Trata-se de uma ponte, única no mundo, que mereceu destaque quando em 2006 foi inscrita na lista de património mundial da UNESCO. Tem a particularidade de transportar pessoas e carros de um lado para o outro numa plataforma, em vez de ser por eles atravessada. Totalmente em ferro, foi construída em 1893, por Alberto Palacio, discípulo de Eiffel e é a mais antiga do mundo no seu género. A ideia foi criar uma ponte que permitisse o tráfego entre as margens, mas sem perturbar a entrada de navios na ria. Vale a pena conhecer pela obra de engenharia que é!

Bilbau respira energia, mas a tarde estava demasiado quente para muitas aventuras, por isso o ideal era um local fresco onde pudéssemos descansar um pouco.

Então, com os mesmos cartões que usámos no metro, subimos no funicular de Artxanda. No topo da montanha com o mesmo nome, ao fim da curta viagem, entramos numa enorme zona verde e que muitos aproveitam para relaxar ou passear. Aqui, encontramos um parque de merendas, perfeito para um piquenique, um restaurante/bar, um hotel e até um complexo desportivo.

O parque é também famoso pelas vistas panorâmicas da cidade. Daqui podemos ver uma Bilbau extensa e diversificada, urbana e industrial, mas em harmonia com a paisagem. Num dia limpo, dá para ver até ao mar. Ainda ficámos por aqui algum tempo, com o vento no rosto, admirando lá em baixo, os ícones da cidade. Terminava aqui o nosso dia, era hora da despedida e de regresso a casa, e este local não podia ter sido mais bem escolhido.

Bilbao, apesar de ser uma cidade muito industrializada, proporciona-nos uma imersão no vibrante ritmo da cultura basca. Mesmo com o crescimento, a cidade foi capaz de preservar as suas tradições ao mesmo tempo que se projectava como uma cidade cosmopolita e moderna. Sem dúvida que merece a visita!!

Nota: Viagem realizada em Agosto 2018

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